quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

ENVELHECIMENTO

Segredinhos antigos contra o envelhecimento

Vejam abaixo o que fazem os equatorianos ...





Médico e escritor argentino lança livro sobre a população de Vilcabamba, no sul do Equador, que vive muito mais do que a média mundial.
Ricardo Coler José Medina, 112, que parou de beber aos 106 - ADRIANA KÜCHLER DE BUENOS AIRES
Don José Medina parou de beber aos 106.
De vez em quando, ainda toma "um puro" (aguardente), mas não mais de um por dia.
Fuma, mas muito menos do que quando "era jovem" - ali pelos 70 anos.
Aos 112, não conseguiu largar o chamico, cigarro feito com uma erva alucinógena.
Medina vive em Vilcabamba, um povoado com cerca de 4.000 habitantes no interior do Equador ( 650 km ao sul da capital, Quito) que a paranóia pela vida saudável ainda não encontrou.
As condições sanitárias do local são um desastre -na maioria das casas, não há esgoto nem água encanada.
Seus habitantes fumam, bebem álcool, comem muito sal, tomam muito café, usam drogas.
E são um dos povos com maior proporção de pessoas centenárias no mundo - cerca de dez vezes mais do que a média.
Centenários e saudáveis.
Por ali, é comum encontrar idosos de 110, 120 anos.
Lêem sem óculos, conservam os dentes originais.
A maioria ainda trabalha e tem vida sexual ativa.
Os cabelos ficam brancos quando chega a idade, mas depois voltam à cor natural, sem explicação.
E, ao contrário da maioria dos lugares do mundo, os homens vivem mais do que as mulheres.
"Alguma coisa estranha acontece em Vilcabamba", diz o médico e escritor argentino Ricardo Coler, um entre tantos profissionais que foram à cidade em busca de uma explicação.
Sobre o mistério, ele escreveu "Eterna Juventud - Vivir 120 Años" (editora Planeta, sem previsão de lançamento no Brasil), em que relata histórias como a de José Medina.
São várias as teorias que tentam explicar a longevidade saudável dos habitantes de Vilcabamba.
Cientistas americanos afirmaram que era a composição da água que bebem.
Franceses atribuíram o fato ao clima da região.
Outros dizem que é o ar, a alimentação saudável à base de milho, batata, vegetais e pouca carne ou a vida tranqüila.
Nenhuma explicação foi comprovada até hoje.
"Estudei a água de Vilcabamba, e sua composição se parece bastante com a água que se bebe em Buenos Aires", diz Coler, que também exclui a possibilidade de a longevidade ser genética.
"Até os cachorros vivem mais, cerca de 25 anos.
Ninguém descobriu a causa, senão já estaria rico.
" Há também algumas teorias pseudocientíficas, que vinculam os efeitos benéficos de Vilcabamba à eletricidade no ar ou à possível presença de óvnis e extraterrestres.
Seja qual for a explicação, a fama de Vilcabamba atrai todo tipo de gente.
O comediante mexicano Cantinflas (1911-1993) passou o ano de 1968 na cidade, onde teria se curado de problemas cardíacos.
Uma ex-executiva da Nasa fundou ali uma espécie de spa new age que promove hábitos saudáveis.
Um ex-astronauta e um general do Exército americano também estão entre os que circulam pela avenida Eterna Juventud, a principal da cidade.
Todos, acredita Coler, vão atrás dos 40 anos a mais de vida.
"Por isso, além dos cientistas, chegam os multimilionários, os crentes, os políticos, os messiânicos.
Vêm por esses 40 anos como antes se ia por ouro ao velho oeste ou por petróleo ao Oriente Médio", conta.
Nada recomendável
"O século 19 foi o século dos antibióticos, o século 20, o das doenças cardiovasculares e do câncer, e o 21 é o da longevidade", diz Coler, ao justificar por que crê que Vilcabamba é a meca desta época em que ser saudável é fundamental.

APENAS COMER 30% MENOS DO QUE DEVERIA GARANTE VIDA MAIS LONGA, DIZ O MÉDICO E ESCRITOR RICARDO COLER; OS LONGEVOS SÃO SEMPRE GENTE MAGRINHA.
O problema é que Vilcabamba carrega em si uma contradição.
Apesar de viverem 120 anos e de não ficarem doentes, a conduta de seu povo está distante de ser regrada e a preocupação com a saúde passa longe de suas roças, puros e chamicos.
O chamico é uma planta tóxica e alucinógena, também chamada de erva do diabo, que antigamente era usada por xamãs e indicada para acalmar dores fortes, como a do parto.
"Seus primeiros efeitos podem ser comparados com os da maconha; depois de algumas tragadas, somam-se os da cocaína", explica Coler.
Traz alucinações, pensamentos fantásticos, perda de memória, excitação e fúria.
Em Vilcabamba, virou hábito diário.
Aos amantes da virtude é insuportável que os vilcabambenses vivam mais tempo e em melhores condições que os que não têm vícios.
Parece injusto", afirma Coler.
"Nada do que eles fazem é recomendável.
Um médico que foi estudar aquele povoado saiu de lá sem grandes conclusões e a única mensagem que deixou para aqueles senhores foi : "Não comam sal".
Os longevos, é claro, ignoraram o conselho.
Como agir sem regras a seguir ?
É difícil, acredita Coler, numa época em que a medicina ocupa um lugar muito parecido com o que já teve a igreja.
"Se você segue suas vontades, paga com a doença. Sempre estão o castigando com o que você faz.
Quem pode discutir hoje um conselho médico ?
Se a medicina diz, é verdade."
Velhice como doença
O médico está menos preocupado em encontrar a razão para a longevidade dos cidadãos de Vilcabamba do que em buscar fundamentos para a sua idéia da velhice como uma doença, entre tantas outras.
"Dizer que é normal e que todo mundo envelhece, mesmo que não pareça, é uma forma de pensar, uma posição filosófica", argumenta Coler no livro.
"Será a doença mais difundida de todas, mas é uma doença.
Parece que em Vilcabamba há uma espécie de antídoto que produz uma melhora."
Ele cita estudos que determinam que há cerca de dez causas de ordem molecular que provocam envelhecimento e sobre as quais em algum momento será possível atuar.
"Então os 120 anos que até agora são um limite podem se converter em 150.
Velhice e morte deixarão de ser palavras absolutas", acredita.
Em Vilcabamba, conta Coler, as pessoas não sofrem durante anos com doenças.
Um dia, sentem-se mal e morrem.
"Gostaria que meu pai pudesse ter tido uma velhice como a de um deles.
Seria bom se todos os problemas da idade não se estendessem, se juntassem por um período curto no final da vida", afirma Coler que, enquanto conhecia os saudáveis idosos equatorianos, tinha que administrar as idas ao hospital e as enfermeiras dos pais, "apenas" octogenários, mas doentes e dependentes.
Para ele, quando - e se - a fórmula da fonte da juventude do povoado equatoriano for descoberta, talvez ela até possa ser distribuída.
Mas, enquanto a água ou o ar vilcabambenses não chegam pelo correio, é melhor prevenir.
"O que hoje funciona é a prevenção.
Mas prevenir muito tem algo de perverter um pouco", escreve Coler.
"Tomara que em Vilcabamba exista outra possibilidade, a de viver mais sem se mortificar tanto.
"Expectativa de vida está ligada a serviços de saúde.
É difícil explicar o caso de Vilcabamba, já que, na maioria dos países, o aumento da expectativa de vida está relacionado com a melhoria da qualidade de vida, dos serviços de saúde pública e do saneamento básico, argumenta Naira Lemos, presidente do departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia em São Paulo.
Naira cita o caso do Brasil, onde hoje há cerca de 25 mil centenários registrados.
Um número subestimado, segundo ela, já que muitos não usam o serviço público de saúde ou não têm documentos que comprovem sua idade.
No Brasil, as pessoas com mais de cem anos estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste.
"Aqui, a longevidade está relacionada às condições sócio-econômicas e à qualidade de vida", afirma.
Por isso, ela acredita que a causa para os anos a mais dos vilcabambenses poderia ser, por exemplo, genética.
"Se o meio não favorece, é possível que a explicação seja intrínseca, e não
extrínseca, à própria população."
Naira, no entanto, é reticente quanto às teorias de que se poderá em breve atuar sobre causas de ordem molecular que provocariam o envelhecimento.
"Esse tipo de teoria, como a da atuação sobre os radicais livres, é pouco discutida na geriatria brasileira, já que não há evidência científica sobre a sua eficácia."

Povoados no Oriente têm concentração de centenários

Vilcabamba é conhecida como a cidade com maior concentração de centenários do Ocidente.
Mas, do outro lado do mundo, há povoados que partilham essa mesma condição.
Em Hunza, no norte do Paquistão, a longevidade é atribuída ao consumo de damascos, que abundam na região.
Os damascos são usados de todas as maneiras, como azeite, geléia, fresco ou seco.
A Abkházia, província separatista da Geórgia, na região da ex-URSS, que recentemente esteve na berlinda devido a um conflito regional, também é conhecida pela idade de seus cidadãos.
Um deles, Shirali Muslimov, teria chegado aos 168, dizem, graças ao iogurte que os habitantes do lugar costumam consumir diariamente.
Já o povo de Ogimi, um povoado na ilha japonesa de Okinawa, põe no prato a goya, uma verdura amarga que teria poderes curativos.
Os moradores de Ogimi, conta o médico e escritor Ricardo Coler, que também esteve por lá, "são alunos excelentes na hora de cumprir conselhos médicos", conhecem a medicina preventiva, fazem exercícios e praticam o budismo.
"São o oposto de Vilcabamba", diz o médico, mas vivem menos que no povoado equatoriano.
Os outros povos centenários não cultivam muitos hábitos recomendáveis.
Em Hunza, Abkházia e Vilcabamba são os homens que vivem mais e gostam de se gabar de suas proezas sexuais com mulheres mais novas.
Os três lugares ficam a mais de 1.500 metros de altura.
Já Ogimi está ao nível do mar.
O que os quatro locais têm em comum é a grande distância dos centros urbanos, o fato de que seus idosos não se aposentam e a comida é escassa.
"Hoje, há apenas uma coisa que comprovadamente garante que se viva mais : comer menos", afirma Ricardo Coler.
"Não comer menos do que se come, mas comer 30% menos do que deveria.
Os longevos são sempre gente pequenina e magrinha."

É, minha gente, comam menos ... meu sogro, que só morreu perto dos cem, sempre dizia : 7/8 é boa medida !

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